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von CH Portugal am 19.03.2026 - 20:16 Uhr | melden
Artigo no jornal Aargauer Zeitung sobre o nosso mais recente herói português em terras suíças:
Aargauer Zeitung
Tragédia de Kerzers
«Queria ajudar as pessoas»: motoristas de autocarro prestam a última homenagem ao colega Albino
Por Andreas Maurer
14.03.2026, 05h00
Em Kerzers, também o motorista de 63 anos perdeu a vida. Encontrava-se na penúltima viagem do seu turno e ansiava pela chegada da reforma. Uma homenagem.
Albino R. estava de serviço na terça-feira ao fim da tarde. O motorista de autocarro, de 63 anos, começou a trabalhar ao meio-dia e teria terminado o turno às 20h30. Na penúltima viagem do dia, conduzia um autocarro postal da linha 122, de Düdingen para Kerzers.
No início do percurso, o autocarro costuma ir cheio, porque muitas pessoas entram depois de sair do comboio. À medida que se aproxima de Kerzers, vai esvaziando. Foi entre a penúltima e a última paragem que tudo aconteceu. Um homem levantou-se e ateou fogo a si próprio e ao autocarro. O veículo deveria ter chegado a Kerzers às 18h24, segundo o horário previsto. Um minuto depois, entrou o alerta de emergência: o veículo estava completamente em chamas.
A família acompanhou as atualizações em direto e manteve a esperança
Albino R. trabalhava há dois anos e cinco meses para a empresa Wielandbus, que assegura esta linha por conta da PostAuto. O proprietário, Philipp Wieland, dirigiu-se de imediato ao autocarro em chamas. Ainda nessa mesma noite reuniu a sua equipa de chefia nas instalações da empresa. “Estamos preparados para acidentes difíceis, mas não para um caso destes”, afirma.
Com uma equipa de apoio, deslocou-se à família do motorista, que àquela hora deveria estar precisamente a regressar a casa vindo do trabalho. Juntos acompanharam as atualizações em direto dos meios de comunicação. “Esperámos e chorámos juntos”, diz Wieland. À meia-noite separaram-se. Ainda subsistia a esperança de que Albino pudesse ter sobrevivido.
Na manhã seguinte, Wieland informou os trabalhadores na garagem. Compareceram 70 colaboradores. Disponibilizou motoristas de substituição, caso nem todos quisessem assumir o serviço. Mas todos os motoristas se declararam prontos para trabalhar. Tinham a certeza de que Albino R. teria tomado a mesma decisão. A sua disponibilidade para ajudar era lendária. “Trabalhava sempre com um sorriso e cumprimentava toda a gente com uma palavra amável”, conta Wieland.
Um dos motoristas interrompeu o serviço durante a manhã. Já não conseguia continuar. “Também me podia ter acontecido a mim.” Esse pensamento acompanhou os colegas que, nesse dia, conduziram os mesmos veículos e fizeram as mesmas linhas que Albino R.
Na quarta-feira à noite, a família recebeu a dolorosa certeza. Albino R. encontrava-se entre os seis mortos, e não entre os cinco feridos.
O Presidente da República Portuguesa apresentou condolências
Albino R. chegou à Suíça em 1990, com 27 anos. Quatro anos depois, a família juntou-se-lhe. O filho, Leandro, conta: “Veio para cá para nos proporcionar uma vida melhor.”
Albino teve muitos trabalhos ao longo da vida: foi pintor de carroçarias, condutor, montador de tendas para festas e motorista de camião. Devido a problemas nos joelhos, tornou-se motorista de autocarro. “Era desde sempre o sonho dele, conduzir autocarros. Era algo que lhe estava mesmo no coração. Adorava o contacto com os passageiros”, conta Leandro. “O meu pressentimento diz-me que, naquela noite, ele quis primeiro ajudar os seus passageiros.”
Embora Albino R. tivesse passado a maior parte da sua vida na Suíça e estivesse integrado, nunca quis naturalizar-se: “No seu coração, continuava a ser português.” Após a cerimónia fúnebre em Murten, a família irá transportar o seu caixão para Portugal, onde será sepultado.
Na sexta-feira, o Presidente da República Portuguesa, António José Seguro, telefonou à família para lhe apresentar pessoalmente as suas condolências. “Valorizo muito esse gesto”, afirma Leandro.



