Mit einem Geschenk hinterlassen Sie Ihr persönliches Zeichen in Gedenken an Lara Baumgartner. Veredeln Sie jetzt für 2,99 Euro diese Gedenkseite durch ein Geschenk in Ihrem Namen.
von Aargauer Zeitung am 15.03.2026 - 11:21 Uhr | melden
Aargauer Zeitung
Tragédia de Kerzers
«Queria ajudar as pessoas»: motoristas de autocarro prestam a última homenagem ao colega Albino
Por Andreas Maurer
14.03.2026, 05h00
Em Kerzers, também o motorista de 63 anos perdeu a vida. Encontrava-se na penúltima viagem do seu turno e ansiava pela chegada da reforma. Uma homenagem.
Albino R. estava de serviço na terça-feira ao fim da tarde. O motorista de autocarro, de 63 anos, começou a trabalhar ao meio-dia e teria terminado o turno às 20h30. Na penúltima viagem do dia, conduzia um autocarro postal da linha 122, de Düdingen para Kerzers.
No início do percurso, o autocarro costuma ir cheio, porque muitas pessoas entram depois de sair do comboio. À medida que se aproxima de Kerzers, vai esvaziando. Foi entre a penúltima e a última paragem que tudo aconteceu. Um homem levantou-se e ateou fogo a si próprio e ao autocarro. O veículo deveria ter chegado a Kerzers às 18h24, segundo o horário previsto. Um minuto depois, entrou o alerta de emergência: o veículo estava completamente em chamas.
A família acompanhou as atualizações em direto e manteve a esperança
Albino R. trabalhava há dois anos e cinco meses para a empresa Wielandbus, que assegura esta linha por conta da PostAuto. O proprietário, Philipp Wieland, dirigiu-se de imediato ao autocarro em chamas. Ainda nessa mesma noite reuniu a sua equipa de chefia nas instalações da empresa. “Estamos preparados para acidentes difíceis, mas não para um caso destes”, afirma.
Com uma equipa de apoio, deslocou-se à família do motorista, que àquela hora deveria estar precisamente a regressar a casa vindo do trabalho. Juntos acompanharam as atualizações em direto dos meios de comunicação. “Esperámos e chorámos juntos”, diz Wieland. À meia-noite separaram-se. Ainda subsistia a esperança de que Albino pudesse ter sobrevivido.
Na manhã seguinte, Wieland informou os trabalhadores na garagem. Compareceram 70 colaboradores. Disponibilizou motoristas de substituição, caso nem todos quisessem assumir o serviço. Mas todos os motoristas se declararam prontos para trabalhar. Tinham a certeza de que Albino R. teria tomado a mesma decisão. A sua disponibilidade para ajudar era lendária. “Trabalhava sempre com um sorriso e cumprimentava toda a gente com uma palavra amável”, conta Wieland.
Um dos motoristas interrompeu o serviço durante a manhã. Já não conseguia continuar. “Também me podia ter acontecido a mim.” Esse pensamento acompanhou os colegas que, nesse dia, conduziram os mesmos veículos e fizeram as mesmas linhas que Albino R.
Na quarta-feira à noite, a família recebeu a dolorosa certeza. Albino R. encontrava-se entre os seis mortos, e não entre os cinco feridos.
O Presidente da República Portuguesa apresentou condolências
Albino R. chegou à Suíça em 1990, com 27 anos. Quatro anos depois, a família juntou-se-lhe. O filho, Leandro, conta: “Veio para cá para nos proporcionar uma vida melhor.”
Albino teve muitos trabalhos ao longo da vida: foi pintor de carroçarias, condutor, montador de tendas para festas e motorista de camião. Devido a problemas nos joelhos, tornou-se motorista de autocarro. “Era desde sempre o sonho dele, conduzir autocarros. Era algo que lhe estava mesmo no coração. Adorava o contacto com os passageiros”, conta Leandro. “O meu pressentimento diz-me que, naquela noite, ele quis primeiro ajudar os seus passageiros.”
Embora Albino R. tivesse passado a maior parte da sua vida na Suíça e estivesse integrado, nunca quis naturalizar-se: “No seu coração, continuava a ser português.” Após a cerimónia fúnebre em Murten, a família irá transportar o seu caixão para Portugal, onde será sepultado.
Na sexta-feira, o Presidente da República Portuguesa, António José Seguro, telefonou à família para lhe apresentar pessoalmente as suas condolências. “Valorizo muito esse gesto”, afirma Leandro.





